quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O lobo e a coruja


O marxista vê seu adversário como alguém a ser exterminado, eliminado; sua argumentação não precisa ser coerente, basta que antagonize o adversário e transforme-o em "comedor de criancinhas". Quer a destruição de tudo que aí está para implantar seu próprio modelo utópico de sociedade. Fala somente em coletividade, fazendo questão de ignorar as partículas que fazem parte do todo.

Já o democrata liberal vê o adversário como alguém a ser convencido, se possível educado; busca usar da lógica para argumentar, ainda que revelar a verdade dos fatos possa muitas vezes parecer cruel. Sabe olhar para tudo o que aí está, avaliar o cenário e sugerir melhoras para a evolução da vida em sociedade, buscando sempre respeitar os direitos fundamentais dos indivíduos.

Extermínio versus educação. Utopia versus lógica. Destruição versus construção.

São dois tipos distintos de abordagem. Incompatíveis abordagens. É o lobo (em pele de cordeiro) debatendo com uma coruja: o primeiro, faz de conta que argumenta, mas no fundo quer mesmo é devorar a pobre ave.

A coruja sabe que a possibilidade de um debate civilizado e honesto está perdido. Mas sábia que é - não por ser inteligente, mas por se saber mais útil para si mesma viva do que morta - ainda tem esperança de encontrar apoio na floresta à sua volta para poder vencer o lobo.

Sabe que tem a força dos argumentos corretos, mas não tem dentes afiados - muito menos vocação carnívora - para vencer o lobo e seus métodos. O que lhe resta então? Ela repete para si mesma: buscar o apoio dos demais animais da floresta que, como ela, sabem quem está com a razão, mas muitas vezes escondem-se em suas tocas. E, ao se esconderem, deixam-na à própria sorte e a floresta à dominação lupina.

Eis o panorama do debate político atual no Brasil.

O resto é pura fábula.

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