quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

A propagação das ideias democráticas

Poucos países no mundo deram uma volta por cima tão grande como a Alemanha: principal derrotada em duas guerras mundiais e tomada durante mais de uma década pelo nazismo na primeira metade do século XX, o país é hoje uma das mais estáveis democracias do mundo. Não bastasse a volta por cima política, o país segue sendo o motor econômico da Europa e o país que evitou que a zona do euro conhecesse o cataclisma.

Por isso mesmo, apesar de ter sido por determinados períodos epicentro de alguns dos mais terríveis acontecimentos na história mundial, a Alemanha segue como fonte de bons exemplos para o mundo em razão de sua volta por cima, pela economia robusta e por seu desenvolvimento político invejável. Essa recuperação, porém, não se deu sem muito esforço. Como dizia o ex-presidente alemão Theodor Heuss, “a democracia não é uma garantia de felicidade, mas antes o resultado da educação cívica e de convicções democráticas fundamentais”.

Justamente para facilitar a “educação cívica” e solidificar as “convicções democráticas fundamentais” é que os Partidos alemães presentes no Bundestag (Parlamento) mantêm fundações partidárias. Uma das mais antigas delas, o Instituto Friedrich Naumann para a Liberdade (IFN), ligado ao partido liberal FDP, completa em 2013 meio século de atividades. Diferentemente da maioria das fundações partidárias brasileiras, no entanto, as alemãs têm o papel adicional de servir de exemplo democrático ao mundo: todas têm escritórios e parceiros no exterior. O IFN, por exemplo, já está no Brasil desde 1973 - 40 anos completados neste ano, portanto.

Presente às comemorações referentes ao 40º aniversário do IFN no Brasil celebrados no Rio de Janeiro, Wolf-Dieter Zumpfort, Dr. em Economia e vice-presidente da instituição na Alemanha, falou com exclusividade à Revista Voto. Segundo Zumpfort, a principal função da instituição no exterior é fomentar o diálogo entre atores políticos. “Convidamos lideranças brasileiras a irem à Europa para fortalecermos nossos laços e trocarmos experiências sobre como fazer uma boa política”. Dentre os mais importantes parceiros no Brasil está o partido Democratas.

Nas últimas eleições parlamentares alemãs, porém, o FDP não atingiu a cláusula de barreira de 5% e ficará fora do parlamento. Aqui no Brasil, os Democratas tem hoje uma das menores bancadas dentre os grandes partidos brasileiros - 25 deputados. O que está acontecendo com a representação política liberal? “Se você não tem liberdade, você luta por ela. Se você já a tem, você luta por necessidades de consumo - moradia, aposentadoria... -, não por bens existenciais”, explica Zumpfort. “As pessoas tendem a esquecer o quão importante é a liberdade depois que já a conquistaram e nós somos responsáveis por lembrá-las da sua importância fundamental para a sociedade”.

Sobre o caso brasileiro em específico, o alemão opina que o país tem ainda outros elementos que fazem da existência de partidos liberais um desafio ainda maior. “O país tem um sistema partidário muito burocrático. Além disso, mudar de partido é muito mais comum do que na Alemanha, onde isso quase não acontece. Esse parece ter sido sido um grande problema para os Democratas, uma vez que me parece que a maioria dos políticos prefere estar na base aliada e ter acesso direto a recursos públicos do que defender ideias”, cogita.

Uma sugestão para o Brasil seguir? “Mais abertura”, acredita Zumpfort. “O Brasil está em um momento de sua história em que o mundo todo está olhando para o país. O Brasil quer espaço para continuar exportando commodities mas é fechado aos bens que vem de outros países, cobrando altos impostos de importação”, exemplifica. “Aos olhos do quem vê de fora, isso é contraditório. Ao meu ver, falta ao Brasil assumir a sua responsabilidade e abrir-se mais ao mundo”, conclui o vice-presidente do INF.
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Publicado na Revista Voto, edição de dezembro de 2013

Link para a revista na íntegra:http://www.revistavotodigital.com.br/web/pub/voto/

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