quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Violência contra a mulher. Na Noruega!

‎(Mais uma "pra tu ver" que a Noruega não é tão diferente assim).

Na pausa aqui resolvi puxar papo com a estudante sentada na mesma mesa que eu aqui na biblioteca de Oslo. Ela está de frente para mim e cuidou do meu laptop quando fui buscar o famoso café do post anterior.

"O que você estuda?", perguntei.

"Filosofia. Estou escrevendo minha dissertação de mestrado sobre ética".
(Conversa vai, chegamos no assunto feminismo, ela que se declara uma feminista).
"Mas não acho que mulheres tenham que ser iguais em tudo a homens", pondera. "Aliás, nem homens nem mulheres são iguais entre si. O que interessa é o respeito à individualidade e que tenham seus direitos garantidos".
"E que problemas mulheres enfrentam na Noruega?", pergunto, já que é um país, em primeiro lugar, super liberal e, em segundo lugar, em que os direitos entre ambos os sexos são muito próximos, reconhecidos internacionalmente. All-in-all, é um país escandinavo.

"A violência doméstica é muito grande". 
"Quê?!", pergunto surpreso. "Aqui na Noruega? Não imaginava!"
"Sim. E é um grande tabu".
"Tem dados sobre isso?", insisto.
"Claro". 

Ela enviou para mim em e-mail um PDF todo em Norueguês, com dados produzidos pelo escritório de estatística do governo; tentei entender algo, mas estava braba a coisa. Decidi procurar algo comparativo em inglês no Google e caí na página das estatísticas da Organização Mundial da Saúde. 

"Choquei"!

Noruega: 27% das mulheres entrevistadas alegaram que sofreram algum tipo de violência física vinda de seus parceiros. (dados de 2004)

Brasil (regiões urbanas): 29%. (dados de 2000).

E, pior de tudo, os índices são absurdos para qualquer efeito. Eu não consigo CONCEBER um homem bater em uma mulher. Estatísticas repugnantes, vergonhosas e, infelizmente, tradutoras de uma realidade descrita pelas próprias mulheres entrevistadas. 

"E a Noruega, por essa tabela que você me mandou", frisou ela depois de eu mostrar os dados que encontrei, "tem o quinto índice mais alto entre os países desenvolvidos listados".

Uma estatística dessas só pode me deixar feliz no dia em que o índice for 0%. Em todos os países, em qualquer lugar. Inconcebível outra coisa.

Fonte: http://unstats.un.org/unsd/demographic/products/Worldswomen/Annex%20tables%20by%20chapter%20-%20pdf/Table6Ato6E.pdf

Nenhum comentário:

Postar um comentário