sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Um Nobel controverso

(análise minha publicada hoje em Zero Hora online: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/mundo/noticia/2012/10/um-nobel-controverso-3916181.html)


Pesquisas recentes apontam que 80% da população da Noruega é contrária à entrada do país na União Europeia

Marcel van Hattem, especial/Oslo

Depois de Obama em 2009, agora foi a vez da União Europeia. O Prêmio Nobel da Paz, sinônimo de reconhecimento "à pessoa ou instituição que fez o melhor ou melhor contribuiu para a solidariedade entre as nações", está gerando muita controvérsia e debate ao redor do mundo. Em especial aqui na Noruega: pesquisas recentes apontam que 80% da população é contrária à entrada do país na União Europeia.


No discurso de Thorbjorn Jagland, presidente do Comitê do Nobel da Paz, percebia-se claramente que o enfoque era político, não econômico. Um reconhecimento pelo processo de reconciliação e paz, e de garantia dos direitos humanos e fortalecimento da democracia na Europa.


— Com a incorporação da Croácia à União Europeia no ano que vem e as negociações para incluir a Sérvia e Montenegro, esse processo continua evoluindo — disse em sua fala.


Jagland, que já foi premiê e chanceler da Noruega, é uma figura polêmica da política norueguesa. Em 1990 ele escreveu o livro "Meu Sonho Europeu", e notabilizou-se por ser um empedernido defensor do ingresso de seu país na União Europeia, mesmo contra a vontade da maioria da população. Segundo críticos, assim como na ocasião da premiação de Obama quando exercia pela primeira vez a presidência do Comitê, sua participação foi essencial na decisão do grupo, que precisa ser unânime, em outorgar o prêmio à União Europeia. A sorte também pode ter contado muito ao seu favor: o único integrante anti-Europa do Comitê, o político de extrema-esquerda Agot Valle, ficou doente e foi substituído na última hora pelo bispo de Oslo, Gunaar Staalsett. Tivesse ele permanecido, o resultado provavelmente seria outro.


O presidente do Comitê tentou de todos os jeitos afastar a crise econômica de seu discurso. Quando lhe perguntei, na coletiva, sobre a relação entre a premiação e a crise da Zona do Euro, tratou de afastar-se do tema.


— A crise iniciou nos EUA, com o Lehman Brothers. Não temos solução para a crise europeia, mas a Europa precisa continuar unida — afirmou Jagland.


O difícil será convencer disso a população europeia — a começar pela da própria Noruega.

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