quarta-feira, 24 de outubro de 2012

A câmera-"woman"


Olho pro chão, entre os pés da passageira ao meu lado e pergunto:
"Essa câmera é sua?"
"É"
"Você é jornalista?"
"Não, cinegrafista, da Suécia. E você?"

"Ah. Eu estou fazendo mestrado em Jornalismo".
"Ah! Acabamos de voltar de Silkeberry (Dinamarca, perto de Aarhus onde estudo), onde está o homem que há 200 mil anos foi estrangulado e cujo corpo, encontrado num pântano nos anos 1950, continua preservado no museu municipal. Você deveria ir lá e escrever sobre a história".
"Interessante! Mas achei mais interessante você ser cinegrafista e mulher. Não se vê muitas..."
"De fato... agora até tem mais porque as câmeras ficaram menores. Nos anos 1970, quando comecei, era uma das únicas na Suécia".
"E o preconceito?"
"Na época que comecei, muito grande! É uma profissão mais masculina, muitos pareciam se sentir ameaçados..."
"No resto do mundo também não é muito comum...""
"Fui ao Japão em 1992 a uma conferência de cinegrafistas. Soube que de toda a população de 130 milhões de pessoas, só havia uma cinegrafista mulher".
"Ela só podia ser celebridade para você".
(Risos) "Certamente, e eu a conheci!".
"Posso tirar uma foto pra por no Facebook?"
"Claro".
Tiro a foto.
"Tá aqui meu cartão, me procura depois que você vai ver que escrevi uma história sobre você no Facebook. Meu nome é Marcel".
"O meu é Lil".
"Prazer, e boa viagem".
"Eu fico em Copenhague, vamos gravar amanhã dentro de um túnel de vento".
"Então boas gravações!".

(Diálogo ocorrido em 24/10/2012 no voo da SAS das 18h10 entre Aarhus e Copenhague, Dinamarca)

Foto: Marcel van Hattem
Publicação original: http://on.fb.me/RWGhLr


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