quarta-feira, 25 de julho de 2012

Preconceito e racismo nos olhos dos outros é refresco


Francielle Marques, no grupo da UFRGS no Facebook, em reação ao meu artigo Falando com as Paredes (postado abaixo), publicou: 


Porque será que eu leio uma reportagem de crítica ao DCE e não de debate sobre as cotas? "As cotas deveriam ser uma medida paliativa, temporária". Então vocês julgam que em 2012 as nossas escolas públicas se igualaram às particulares? Vocês julgam que em 2012 as oportunidades para negros e brancos se igualam? Vocês julgam que não são mais necessárias as medidas paliativas? É tenso mesmo ver um bando de burguês que estudou a vida toda em escola particular e tem descendência ariana querendo discutir cotas com toda a razão! Beijos pra ti queridooo! =D


Eu respondi:



Essas medidas que estão aí são um grande engodo, Francielle Marques. Pesquise a história da estudante Janaína Pacheco para me dizer se é justo ela ter perdido a vaga dela. Discriminar pessoas pela cor da pele é algo que eu não faço em nenhuma hipótese - e me enche de revolta a tua atitude de desclassificar minha tese acusando-me (!) de descendente ariano. Repudio isso, querer menosprezar meu raciocínio ou desprezar minhas ideias em virtude da cor da minha pele. Percebeste o quão racista essa tua afirmação não só soou como de fato o foi?



A discussão foi mais longe do que isso, mas creio que o que está aí em cima já resume bem o teor dela.



P.s. A história de Janaína Pacheco, resumida: foi estudante de Ciência da Computação da UFRGS por um semestre e havia passado por cotas sociais. Ela, porém, estudou durante UM ANO em escola comunitária (que não é considerada pública por lei, por ser de direito privado, embora seja mantida com recursos públicos). Ela só estudou naquele ano em escola comunitária por não ter nenhuma outra escola pública perto da sua casa. Os outros anos todos de ensino fundamental e médio foram em escola pública. Ela é muito pobre, e trabalhava de dia em uma padaria para pagar o curso pré-vestibular à noite. A UFRGS, depois de ela estar matriculada e cursando, descobriu que ela tinha estudado aquele UM ANO em escola COMUNITÁRIA e considerou que sua matrícula tinha que ser cancelada. E assim foi feito. E a sua vaga foi perdida e não poderá ser ocupada por ninguém mais. Isso é desumano. Infelizmente, de verdade, isso não é justo. 


E, detalhe mais indigesto: os representantes dos estudantes-manifestantes que menciono no artigo abaixo, ou seja, teoricamente "pró-cotas e pró-justiça social" também votaram contra sua permanência na UFRGS.

Nenhum comentário:

Postar um comentário