quinta-feira, 14 de junho de 2012

Três lições fundamentais: educação, crédito e desburocratização


"Boring, boring, boring! [Chato, chato, chato!]": eis a definição de Michael Novak sobre os textos que leu de autores defensores da Teologia da Libertação. "Eu lia, lia, lia, e não via uma solução que efetivamente pudesse ajudar os pobres! Só blá, blá, blá". 

Novak é teólogo e escritor, foi embaixador dos EUA e membro do American Enterprise Institute baseado em Washington, D.C. Responsável pela palestra de abertura da Acton University deste ano, quando o evento completa 22 anos, aproveitou para falar de seu livro mais conhecido, o Espírito do Capitalismo Democrático, lançado pela primeira vez nos anos 1980. Em 1984, foi publicado na Polônia comunista pela primeira vez, sem autorização do governo, lógico. 

Sua conversa com o presidente e fundador do Instituto Acton, Rev. Robert Sirico, foi descontraída e abordou diversos assuntos. Muito próximo do Papa João Paulo II, a mensagem mais impactante que Novak deixou ao público foi a que também passou ao Papa em um de seus encontros com o pontífice quando perguntado o que fazer para melhorar a situação econômica de pobres de países como o Brasil.

"Há três coisas que são fundamentais:

1. Educação é fundamental! O nível médio de educação formal brasileira é [quando da conversa com o Papa] de três anos. Como melhorar a situação econômica sem educação?

2. Tem de haver uma expansão no número de pequenos negócios, e para isso, crédito para os pequenos precisa estar disponível a taxas compatíveis com o mercado, não a 20%, 30%, como vemos nesses países. 

3. A criação de uma nova empresa tem que ser rápida, pouco burocrática e barata. Um cidadão tem que poder pagar 20 ou 30 dólares para abrir sua empresa na junta e trabalhar; não pagar uma fortuna e passar por inúmeros percalços, como infelizmente é o caso no Brasil".

Novak, que declarava-se de esquerda no passado, disse que foram seus estudos que levaram à conclusão de que apenas um mercado livre pode dar às pessoas condições de utilizarem seus potenciais ao máximo. "Eu predisse há vinte anos a falência do welfare state e agora vemos o que acontece na Europa. Você dá, dá, dá e, em retorno, cria dependência, dependência e mais dependência. As necessidades das pessoas são ilimitadas - e a capacidade do governo terá sempre um limite. A liberdade individual de empreender é, portanto, a única que pode dar ao cidadão acesso ao progresso sem dependência".

Nenhum comentário:

Postar um comentário