sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

A privataria petista: seja sempre coerente com a incoerência

Foto que tirei na chegada a Guarulhos, no início deste ano:
filas intermináveis no controle de imigração e na alfândega
Paira sobre todas as incoerências pronunciadas pelo PT uma regra de ouro: não se importe em ser incoerente, desde que o seja sempre. Em outras palavras: seja coerente, sempre, com suas incoerências.

Nos recentes leilões promovidos para conceder aeroportos à iniciativa privada, o PT fez (mais uma de milhões de vezes) algo que abominava: "privatizou", utilizando o próprio celebrizado jargão petista, o que era do Estado. Longe de mim criticar uma atitude que, na realidade, era uma das poucas alternativas razoáveis, sobretudo considerada a situação em que se encontram nossos aeroportos. 

É simplesmente vergonhoso o serviço aeroportuário no Brasil, anos-luz de qualquer padrão internacional de qualidade. E isso não tem nada a ver com a Copa do Mundo ou as Olimpíadas: há quanto tempo convivemos com apagões de todo tipo, reformas que não terminam - ou até mesmo que não começam -, acidentes aéreos de proporções enormes e tantos outros que não chegam a ganhar as notícias, filas na alfândega ao entrar no país, reposicionamento de aeronave a todo tempo...? E acrescentei reticências pois a lista inteira jamais caberia aqui. Nossos aeroportos são o retrato da barbárie: aposto que qualquer rodoviária, com a estrutura precária que possuem e as rodovias lastimáveis porque trafegam os ônibus, tem índices de partida e chegada no horário muito mais altos do que nossos pobres aeroportos.

Com a privatização dos aeroportos - sim, concordo, a palavra correta é concessão... mas não era o PT que sempre chamou toda concessão de privatização quando era oposição? - há uma esperança de que a situação mude. Dos aeroportos, lógico. Já a mentalidade por trás do discurso do PT, essa não muda nunca. Ao tentar afastar a todo custo, desesperadamente, o termo "privatização" dos leilões realizados pelo governo federal nesta semana, o partido só confirma ser coerente com suas incoerências: tem vergonha do que faz certo e não tem vergonha do que faz errado.

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