sábado, 11 de fevereiro de 2012

Neste meio tempo eu morri

Na estação de Leiden, Holanda: neste meio tempo,
eu morri
Quando vi pela primeira vez a frase, além de achá-la literalmente mórbida (e chamativa, lógico), perguntava-me se ela queria realmente dizer aquilo que estava escrito: "neste meio tempo eu morri" (ik ben inmiddels overleden, em holandês). Pendurados nos corredores das estações ferroviárias de Utrecht, de Leiden, de Rotterdam, de Amsterdam, enfim, por todos os lados, displays com fotos de pessoas e a fatídica frase em destaque com um acompanhamento abaixo: ajude a lutar contra uma doença implacável. No canto inferior direito, a sigla ALS (em português, ELA), instituição que combate a doença homônima Esclerose Lateral Amiotrófica. O objetivo da campanha é arrecadar dinheiro para ampliar a pesquisa sobre a doença.


Depois de ver as fotos espalhadas por estações retratando várias pessoas, topei com um anúncio na TV daqui. No vídeo, sem nenhuma música de fundo ou qualquer decoração, aparece Joep  (pronuncia-se Iúp) Cobben dizendo: "em primeiro de setembro de 2009, descobri que tinha a doença neurológica ALS. Isso é uma sentença de morte". Em seguida, ele explica brevemente sobre o que é a doença, relatando que todos os neurônios motores se degeneram, um a um (para saber mais, clique aqui).

Por fim, ele, Joep, afirma que muita pesquisa ainda é necessária para descobrir a cura desta doença, já que ninguém sabe qual sua origem, e por isso ele pede apoio a quem está assistindo o programa.

"Isso eu não peço para mim mesmo pois, neste meio tempo, eu morri".

Chocante. E, como comercial para chamar a atenção, brilhante. 

A imagem de alguém falando sobre a sua própria doença enquanto está vivo e dizendo que, quando o comercial for veiculado, já estará morto, é absolutamente forte. Impossível não fazer o espectador pensar sobre a vida. Sobre a morte. E sobre como, por mais certa que seja sua vinda, cedo ou tarde, ter frieza para falar sobre a própria morte é algo difícil de compreender. 

Mesmo a morte sendo certa para Joep, talvez questão de meses ou mesmo semanas, é difícil compreendermos tal falta de esperança: esperamos sempre por um milagre, um drible no destino qualquer... mas não simplesmente a entrega dos pontos. De qualquer forma, a participação de Joep e de vários outros portadores de ALS que também gravaram comerciais e posaram para fotos da campanha, fica como legado de pessoas comuns em favor de quem fica - contra uma implacável doença.


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