segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A favor do diploma [de Jornalista], contra a obrigatoriedade

"(...) somos contrários à obrigatoriedade do certificado para o exercício da profissão, por entendermos que se trata de uma reserva de mercado cerceadora de talentos, que acarreta prejuízos ao público. Prova disso são os incontáveis profissionais, como escritores, médicos, entre tantos especialistas em várias áreas, que hoje exercem o jornalismo com responsabilidade e competência, sem nunca ter cursado uma faculdade de Comunicação".

A Zero Hora publicou hoje irretocável editorial em defesa do diploma de jornalista e, ao mesmo tempo, contrário à obrigatoriedade da sua posse para o profissional que queira exercer a profissão. Comento mais tarde. Antes, o texto (a marcação em negrito é minha):


A favor do diploma, contra a obrigatoriedade
Editorial de ZH, 5 de dezembro de 2011

O Senado está ressuscitando o debate a respeito da obrigatoriedade de diploma para o exercício da profissão de jornalista. Na semana passada, aprovou em primeiro turno a proposta de emenda constitucional do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), contrária à decisão de 2009 do Supremo Tribunal Federal, que considerou a exigência do diploma atentatória à liberdade de expressão. Estava certo o Supremo, erra o Senado ao submeter-se às pressões de órgãos sindicais, universidades e organizações estudantis.


O Grupo RBS é favorável ao diploma do curso superior de Comunicação, porque considera que os profissionais egressos das faculdades de Jornalismo recebem formação técnica e ética adequada. Tanto que prioriza a contratação de diplomados. Mas somos contrários à obrigatoriedade do certificado para o exercício da profissão, por entendermos que se trata de uma reserva de mercado cerceadora de talentos, que acarreta prejuízos ao público. Prova disso são os incontáveis profissionais, como escritores, médicos, entre tantos especialistas em várias áreas, que hoje exercem o jornalismo com responsabilidade e competência, sem nunca ter cursado uma faculdade de Comunicação. 

Por isso, principalmente, se confirmado pelo Congresso, o retorno da exigência de diploma representará um retrocesso para a sociedade e uma vitória do intervencionismo estatal, que ambiciona regular e controlar o exercício do jornalismo no país. Não há melhor controle para a qualidade do jornalismo do que o próprio público, com seu poder de fazer escolhas. Na hora de avaliar uma informação ou uma reportagem, leitores, ouvintes, telespectadores e internautas não querem saber se o autor é diplomado ou não. Querem, sim, receber informações independentes, qualificadas e éticas. Profissionais egressos de boas universidades têm grande vantagem competitiva na disputa deste mercado, mas não podem querer ter o monopólio destas virtudes.

Um comentário:

  1. ESTE É O PÃO QUE A RBS AMASSOU
    A RBS é totalmente contra o diploma. O discurso oficial acima é uma pulha, para tentar enganar trouxas. O criminoso sempre alega inocência. É o conto da carochinha. Tanto que seus profissionais são submetidos à sua própria "universidade" de estágio prolongado,com exploração aviltante de dezenas de pobres recém-formados, e contrata os que melhor se submeteram à lavagem cerebral, a ponto de serem capazes de escrever uma asneira dessas.
    Quem estava errado era o Supremo, quando se submeteu à pressão de um bando de deputados e senadores proprietários de Rádios,TVs e Jornais, ou de seus "ex-colaboradores" e agora deputados e senadores. Um dia haveremos de ter maior respeito à manipulação das massas, sem que a mesma empresa, ou o mesmo político domine as áreas de rádio, TV e jornal. Esse é o temor da RBS.
    Retrocesso é este modelo podre de comunicação, em que uma empresa domina o universo de TV num país continental e submete seus telespectadores a 10 horas diárias de novelas e reprises, como se seu conteúdo normalmente desprezível não tivesse sido de todo assimilado na primeira exibição. Sem falar na imposição cultural do eixo Rio-S.Paulo.
    Estes bestiais que tudo sabem e donos da verdade também conhecem a fraqueza da nossa categoria, a começar por seus próprios funcionários, submetidos à intensa pressão contra o Sindicato da Categoria, que não teria força para equiparar com a dos proprietários de empresas como a Folha e o Estado. Empresas aliás, que também em nada contribuem à sociedade. Este grupo sim interfere na sociedade na política como bem lhe interessa.
    Para finalizar, o infeliz que escreveu este editorial deve ter curso primário ou técnico em padeiro, para assar o pão que a RBS amassou.
    Antonio Barcellos
    Jornalista Diplomado

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