terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Em Brasília, a vez do Bola 8

Caiu tanto ministro que nem me lembro mais. Juro!

Estava aqui contando nos dedos quais os ministros que caíram e custou até que eu me lembrasse da última figurinha que faltava para a minha coleção mental: Antonio Palocci (Casa Civil - PT). Talvez porque ele já tivesse caído uma vez, no governo Lula, estava quase fazendo confusão.

A imprensa ontem foi rápida, somou e dividiu os dias do ano em 7 e apareceu com o número 48 após a (auto)demissão de Carlos Lupi (Trabalho - PDT). Um ministro demitido a cada 48 dias de governo.

E eis que surge o bola 8! Se sair rápido de cena, pode conceder um novo recorde à presidente, reduzindo a média dos 48 dias!

Capote neles! E na presidente, também!

(Aliás, eu não consigo entender! Muita gente séria refere-se às demissões no governo Dilma como faxina. Ora, só se a sujeira inverteu a ordem das coisas e passou a decidir sozinha quando vai embora!)

Fernando Pimentel, do PT, é suspeito de ter se beneficiado de suas privilegiadas relações políticas através de uma consultoria sua para fazer caixa. 2 milhões de reais é o valor associado ao seu nome. 

Agora é assim: caiu ministro, acha-se novo ministro, atribui-se nome, valor e origem da suspeita e, pronto, mira no bolão e sai pro abraço.

O Brasil é um país doente. Ficou muito mais depois da passagem de Lula pela presidência - a tolerância com o mal-feito, com o erro, aquela que a presidente Dilma disse que não aceitaria em seu governo em seu discurso de posse, nunca antes na história deste país foi tão escancarada como no governo Lula. Lembro das palavras do humorista Marcelo Madureira a respeito: o maior legado de Lula foi a banalização da corrupção. 

Uma geração de brasileiros cresceu durante a era Lula e acostumou-se a ouvir, escândalo após escândalo, que tudo não passava de "erros de companheiros bem intencionados" e que a melhor defesa para o chefe da quadrilha se safar era dizer que "não sabia de nada". Lamento profundamente, mas essa visão da política como pura corrupção vai levar anos para ser revertida. Lula, aliás, é daqueles que crê que a eleição ou re-eleição de acusados de corrupção é uma absolvição concedida popularmente. A realidade é justamente outra: a impunidade e a continuidade de excrescências políticas na vida pública é a condenação de uma sociedade a viver em constante desconfiança em relação aos seus representantes.

E, voltando à Esplanada: voilà, nova desconfiança, nova denúncia e nova queda de um poderoso em Brasília à vista.

O bola 8, assim como a primeira bola a cair, tem cor vermelha e uma estrela pintada no meio. Diferentemente da sinuca, porém, já sabemos que após a sua queda o jogo infelizmente não vai acabar. Vai faltar caçapa para tanta bola.

Nenhum comentário:

Postar um comentário