segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Baderna na USP

Comentário meu publicado na Revista Veja desta semana:

Enquanto os cariocas comemoram o anúncio do plano de entrada da polícia na Rocinha, na mesma semana alguns mauricinhos e maconheiros rejeitam a presença da Polícia Militar na Universidade de São Paulo ("A rebelião dos mimados", 9 de novembro).

Quanta ironia!

Infelizmente, também na UFRGS - onde me graduei - e em outras universidades federais do Brasil, uma minoria de baderneiros, sob o argumento ridículo, anacrônico e falacioso de um retorno da "repressão", conseguiu até hoje intimidar as reitorias a fim de impedir a entrada da PM nos câmpus - e, consequentemente, ameaçar a segurança dos estudantes de verdade (que, apesar de serem maioria esmagadora, infelizmente não têm vez nem voz).

Parabéns a Veja por escancarar essa realidade e ao reitor da USP por não se deixar dobrar pelos arruaceiros, como sempre foi a regra em situações do tipo no Brasil.

Moro e estudo na Holanda. Aqui, diretório acadêmico serve para auxiliar e representar o estudante nas suas atividades acadêmicas - e, claro, também para organizar happy hours e integrações saudáveis; não para representar partidos políticos nem abrigar gangues de mimados.Marcel van Hattem
Utrecht, Holanda



Sessão de Cartas da Veja 2243, 16.11.2011

2 comentários:

  1. Seu comentário é um pouco diferente e contradiz muita coisa que tenho ouvido - por acadêmicos e pessoas que olham de perto o que está ocorrendo na USP - sobre o atual conflito na USP. Como você diz no seu comentário: "(...)o argumento ridículo, anacrônico e falacioso de um retorno da "repressão"(...)", concordo que em nosso atual contexto social isso parece improvável, mas como você deve saber, o processo de "eleição" para reitor pode sim sofrer influência de interesses estatais, e agora, a suposta invasão da PM no campus e sua possível instalação no mesmo pode, de forma gradativa, representar a apropriação da entidade pelo estado. Você não acha que isso pode ser perigoso, pois essa integração, em caso de um possível enfraquecimento democrático, pode dar "brecha" para o estado realmente se apropriar da instituição?

    Gostaria que interpretasse todo o meu comentário como uma pergunta mesmo, pois não tem formação nem capacitação nenhuma para falar com propriedade sobre o assunto. Venho até você como um simples cidadão.

    Publicação interessante sobre alunos da USP, apesar de não serem mestres e não ter um nome feito como o seu, eles estão vendo de perto o que acontece lá, por isso acho relevante o texto deles: http://diplomatique.uol.com.br/acervo.php?id=2987&tipo=acervo
    Eu estaria muito interessado em ler sua opinião sobre o conteúdo.

    Um abraço, Orlando Moura.

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  2. Prezado Orlando, obrigado por ser comentário.

    A USP, em si, já é do Estado. Ainda que não fosse, o dever de garantir a segurança de quem lá estuda é do Estado - e este não pôde fazer nada, no início do ano, quando um jovem foi brutalmente assassinado por bandidos que levaram seu carro estacionado no interior do campus. Policiais não podiam entrar no campus!

    Agora, podem. E devem continuar podendo, pelo bem de quem estuda lá, pela segurança de todos.

    O Estado não é dono da minha casa, nem quero (nem vai) se apropriar dela. Mas eu quero que ele garanta a sua segurança, assim como a da sua casa, a da sua rua e a de todo o país. Infelizmente, segurança total é impossível. Mas abdicar do pouco que o Estado nos fornece é estratégia suicida.

    Grande abraço, obrigado pelo comentário.

    P.s. Sobre o longo texto que você me postou, ele não passa de panfleto ideológico. Não é isso que está em discussão - uma ideologia ou uma forma de pensar.

    É a segurança dos estudantes, que precisa ser garantida.

    Infelizmente, é um grupo pequeno de estudantes (composto por desde ingênuos/inocentes úteis a uma ideologia até criminosos profissionais, passando por maconheiros e arruaceiros de plantão), que não permite que isso ocorra.

    Isso é imoral e incorreto com o restante da sociedade, que quer a presença do Estado na garantia da sua segurança.

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