quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Chega de Sonhar!

República Popular da Europa. Né?
 Em primeiro de janeiro de 2002, a União Europeia ganhou sua moeda própria, o Euro. Nem uma década inteira se passou e o debate aqui na Europa sobre um eventual fim da moeda já é corrente. Nas fotos que ilustram este post - matéria do jornal De Pers, de capa, e artigo de opinião no NRC Next - vê-se a abordagem da crise da moeda e finanças europeias na imprensa escrita holandesa.

O primeiro jornal, um desses gratuitos distribuídos nas estações aqui na Holanda e lido por milhares de pessoas diariamente, estampa na capa a bandeira da União Europeia com a cor vermelha substituindo a original azul. Para tornar ainda mais evidente o já evidente significado da bandeira nas cores comunistas, a manchete: República Popular da Europa (Volksrepubliek Europa). Para completar, o subtítulo: "O que os líderes europeus decidem influencia enormemente nossa vida. Ainda bem que temos uma democracia. Né?". Detalhe sarcástico, em holandês o "toch?" final é, nesse caso, do tipo "não é mesmo" irônico. 

Achei que somente a manchete do jornal seria tão impactante, sensacionalista inclusive. Que nada! A matéria em si era ainda mais negativa, cínica e pessimista em relação ao Euro, à União Europeia e ao futuro da economia daqui. A paciência se esgotou e a fatura, quem tem que pagar, são os políticos, defendem majoritariamente os europeus. E isso por todo o lado, do sul ao norte do continente.
O sonho acabou.
Anos de estado de bem-estar social, de impostos altíssimos - e sonegação no Mediterrâneo - e irresponsabilidade fiscal estão travando a economia como um todo. Mesmo sem o Euro, o problema grego é problema europeu - sobretudo italiano. O grosso das relações comerciais se dá entre países vizinhos: um vai mal, o outro vai mal também e, em efeito dominó, o continente todo sofre. Com moeda única então, pior ainda.

Para concluir o post, o título de uma entrevista dada por Jacques Sapir (que representa a esquerda da esquerda francesa, la gauche de la gauche - curioso, pois à direita o comentário não soaria deslocado) à correspondente de um dos principais jornais holandeses, NRC Next: "Chega de sonhar, o euro tem que acabar!". 

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