terça-feira, 10 de maio de 2011

Ouvir a Voz do Brasil - decisão duríssima.

Ouvi ontem a primeira meia hora da Voz do Brasil. Não tinha alternativa: preso no trânsito, depois de lavar a alma ouvindo os comentários de Diego Casagrande e Boris Casoy na Band News, ou desligava meu rádio ou aguentava a Voz do Brasil. Decidi pela segunda e única alternativa para quem quer distrair-se do congestionamento. Confesso, foi uma decisão dura. Duríssima! Dura como foi a ditadura de Vargas, primeira a veicular o programa, na época chamado A Hora do Brasil. 

Ouvir a Voz do Brasil foi, também, uma experiência duríssima. Já tinha ouvido antes - várias vezes, aliás - mas não com os ouvidos que tenho hoje, calejados de tanta barbaridade que já ouvi em relação à política e ao poder público. Para resumir, ouvi ontem o Ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, posando de super-herói governamental na defesa do consumidor ao propor o combate aos carteis de combustíveis no seu Estado e em Brasília para nitidamente encobrir o fato de que o governo, com seus altos impostos e excessiva regulamentação do setor, é o principal responsável pela gasolina a três reais na bomba; a criação de um sistema de alerta de enchentes em áreas de risco (nem uma vírgula falando sobre prevenção ou, melhor ainda, retirada de quem mora em área de risco e a proibição de que novas famílias se instalem onde não deveriam); o recadastro do Bolsa Família, cujo prazo para realização iniciou em janeiro e segue somente até 31 de outubro (um prazo assim, digamos, curto), sob "risco" de que o beneficiário perca o auxílio e seja substituído por outra família (sim! Substituído!); a decisão da "presidenta" Dilma de conceder concessão de 75 mil bolsas a fundo perdido para jovens estudarem no exterior; e, como cereja no topo do bolo, a notícia de que se inaugurou o primeiro complexo olímpico em um acampamento indígena no Brasil na cidade de Dourados (MS), com pista de atletismo, quadra de vôlei, vestiários...

Ouvir a Voz do Brasil é esquecer-se de que se vive no Brasil. Ou lembrar que se paga muito imposto neste país para sustentar tanto descalabro, incompetência e interferência governamental onde não deveria - sem contar a manutenção do próprio programa, que depende dos nossos impostos para existir.

Ouvir a Voz do Brasil é ter certeza de que é hora de acabar com tanto imposto, única forma de cortar o mal pela raiz e dar aos indivíduos o poder de decidir o que vão fazer com seu próprio dinheiro. Ouvir a Voz do Brasil é sem dúvida uma decisão duríssima e que requer muito estômago de quem tope fazê-lo. Sorte que cheguei em casa ao final do horário destinado ao Poder Executivo - o Poder Judiciário e o Legislativo ficam para o próximo congestionamento.

Nenhum comentário:

Postar um comentário