sexta-feira, 18 de março de 2011

A cultura holandesa de associações estudantis

Hoje mais cedo escrevi sobre a palestra que assisti em Leiden na quarta-feira à noite com um especialista do Instituto Clingendael. O curioso é que os responsáveis pelo evento foram os próprios estudantes de Leiden membros da Associação de Estudantes SIB (Studentvereniging voor Internationale Betrekkingen - ou, Associação de Estudantes para as Relações Internacionais). 

Aqui na Holanda, praticamente todo estudante é integrante de alguma associação. Muitas vezes, os jovens participam em mais de uma - uma mais séria, tipo a SIB, cujo principal objetivo é promover palestras, e outras mais voltadas realmente para integração e festas. Gostei muito da iniciativa da SIB e, sobretudo, de ver que os estudantes que participam desta Associação são de todas as áreas - estudantes de Letras, História, Matemática e até Física, todos com interesse na área das relações internacionais. 

Embaixador do Kosovo presenteou-me
com um riesling kosovar
Durante este curto período aqui na Holanda, estive em um encontro da SIB em Utrecht e em outro em Leiden. No de Utrecht, ganhei uma garrafa de riesling kosovar do embaixador do país que luta por reconhecimento de toda a comunidade internacional como Estado Independente. Motivo do presente: a melhor pergunta, segundo o critério do próprio Embaixador Rexhepi, ganharia o brinde, e acabei sendo o agraciado por ter indagado sobre a importância da mídia no desenrolar do processo de independência do Kosovo da Sérvia. Confesso que a resposta foi bem confusa, difícil de entender - ou quase impossível. Mas sei bem como é: diplomata e político respondendo pergunta sobre imprensa de forma clara e concisa é tarefa quase impossível.

Mas, voltando às associações, tanto após a palestra do embaixador kosovar em Utrecht, como depois da apresentação do prof. Rood em Leiden, muitos dos presentes seguiram ao borrel, que é como os holandeses chamam a confraternização no bar à noite. As reuniões são semanais e há SIBs ainda em Amsterdam e Groningen, garantindo muita cultura e confraternização para os interessados em relações internacionais. Uma pena que iniciativas semelhantes no Brasil sejam tão raras - e que abunde o anacrônico e desmiolado movimento estudantil de esquerda radical, preocupado apenas com partidarismos e protestos infundados, quando não com atividades ainda menos nobres.

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